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Igreja de São Nicolau

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A Igreja de S. Nicolau, foi profundamente alterada no século XVIII. Diz-se que é um templo de raiz românica, mas, mesmo a versão de que o primitivo templo foi fundado pela rainha Dona Mafalda, carece de testemunhos documentados que legitimem a sua antiguidade. Muitos autores querem provar a antiguidade deste templo pela espessura das suas grossas paredes, mas o seu traçado arquitectónico é uma reconstrução oitocentista (na qual se aproveitou parte das pedras que pertenciam à antiga igreja da Misericórdia). No interior da Igreja de S. Nicolau, além da talha preciosa e de objectos raros do culto sagrado, encontra-se embutida na parede lateral virada ao nascente a sepultura de D. Francisco Souto Maior Pinto, fidalgo que foi Governador de Angola e capitão – general do reino. Do lado oposto a este túmulo construiu-se, em 1595, uma Capela brasonada na qual foram esculpidas as “armas” de António de Azeredo e Vasconcelos, seu fundador. As pinturas da sacristia são atribuídas a Manuel Arnau.


Arquitectura religiosa, barroca e rococó. Igreja barroca de planta longitudinal composta por nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, com fachada principal já rococó, terminada em frontão de lanços ondulado e portal de vão rectangular com pilastras de moldura sinuosa e frontão de lanços curvos, interrompido por motivo ornamental e encimado por óculo, possuindo o interior ricamente decorado com retábulos de talha dourada e policroma de estilo nacional, aproveitando por vezes estruturas quinhentistas, e tectos de caixotões de diferente temática entre a nave e a capela-mor.
Descrição
Planta longitudinal composta por nave e capela-mor rectangulares, com torre sineira quadrada, capelas laterais, sacristia e alpendre rectangular adossadas a N.. Disposição horizontal das massas formando 6 volumes com coberturas indiferenciadas em telhados de 2 águas, 3 águas no alpendre e cúpula bolbosa na torre. Fachadas brancas rebocadas, com embasamento de granito, cornija moldurada e cunhais sublinhados por pilastras, sendo as da torre e da fachada principal coroadas por elegantes pináculos moldurados e as da fachada posterior com pirâmides de remate esférico. Fachada principal orientada a O. em frontão de lanços ondulado, encimado por cruz latina sobre plinto moldurado. Portal de vão rectangular com pilastras de moldura sinuosa e frontão de lanços curvos, interrompido por motivo ornamental com acantos e remate concheado, encimado por óculo. Na fachada lateral S. abrem-se na nave 2 janelas rectangulares de rampa e 1 porta de verga recta e na capela-mor uma janela do mesmo tipo, um pequeno janelo, e no plano inferior 2 arcosólios de arco quebrado com moldura em toro, albergando túmulos de cabeceira antropomórfica.

 

Fachada posterior da capela-mor cega, em empena coroada por cruz latina. Na posterior da sacristia abrem-se uma porta rectangular com escadaria exterior em hemicírculo e uma janela de moldura rectangular. As fachadas N. da sacristia e das capelas laterais são cegas, diferenciando-se apenas pelas pilastras dos cunhais. O alpendre tem 5 pilares e a torre sineira 2 níveis escalonados sublinhados por cornija moldurada; no inferior, porta de vão rectangular com moldura de recorte sinuoso a E., e um janelo rectangular a N.; no superior é rasgado nas quatro fachadas por ventanas de arco pleno, com sinos; coruchéu enquadrado por balaustrada com relógios dos lados O. e E. INTERIOR com pavimento em soalho, paredes brancas rebocadas e cornija moldurada pintada em cinzento. Nave de tecto curvo de caixotões, em talha policroma, com representações de Santos; a toda a largura da nave, guarda-vento de madeira com portadas envidraçadas. No sub-coro, do lado do Evangelho, capela baptismal em abóbada de canhão, com pia de molduras em gomos e porta de vão recto de acesso à torre sineira. Coro-alto com pavimento e balaustrada de madeira policroma. No lado da Epístola, arcosólio de arco quebrado com túmulo de Francisco De SottoMaior Pinto, com lateral armoriada e epigrafada, datada de 1658. No lado do Evangelho, capela dos Santos Inocentes de arco pleno encimado por pedra de armas da família Azeredo, da Casa da Picota, e inscrição de 1595. Possui pavimento lajeado, paredes de cantaria de granito, com cornija moldurada e abóbada de berço com molduras quadrangulares, sendo a central vazada para iluminação vertical, e retábulo de madeira com ornamentação de folhagens. Segue-se-lhe púlpito de base quadrangular moldurada, assente em pilar moldurado com o elemento superior em gomos, parapeito em talha policroma com motivos vegetalistas e acesso por escada de pedra com guardas metálicas. Dois amplos arcos plenos assentes em robusta coluna toscana e duas meias-colunas do mesmo tipo articulam a nave com as capelas do Sagrado Coração de Jesus e do Calvário, interligadas por arco pleno com origem na mesma coluna central. Possuem tectos de madeira em masseira octogonal, com pintura e retábulos de talha dourada e policroma com ornamentação de cachos de uvas, parras, anjinhos e aves. Nave dividida por teia de talha policroma. Retábulos laterais de talha dourada ornamentada com cachos, folhas, aves e anjinhos, prolongando-se em arquivoltas sobre o arco triunfal. Capela-mor com supedâneo de granito, paredes revestidas com talha dourada enquadrando a janela lateral e painéis pintados representando os Apóstolos. Tecto curvo de madeira em caixotões, dourados e policromos, com cenas da vida de Cristo. Retábulo-mor de talha dourada ornamentada com cachos, parras, aves e anjinhos, de quatro arquivoltas sobre colunas torsas, enquadrando tribuna com volumoso trono.
Acessos
Rua de Santo António. WGS84: 41º09'26.98''N., 7º53'34.47''O.
Grau
2
Enquadramento
Urbano. No centro da vila de Mesão Frio, implantando-se no interior de um adro de planta subrectangular, bastante sobrelevado, com acesso por uma ampla escadaria frontal e uma escada com portão metálico localizada de flanco, junto à fachada posterior. Um alpendre adossado do lado NO. protege 7 arcas tumulares.  A escadaria principal abre-se para um amplo espaço frontal, aberto e com pavimento empedrado entre guias de granito, para o qual se abre também, do lado oposto da rua, o Hospital da Misericórdia).
Descrição Complementar
Inscrição sobre o arco da Capela dos Santos Inocentes: "ESTA CAPELLA É DE ANTONIO DE AZEREDO E VASCONCELLOS, CAVALLEIRO-FIDALGO DE EL-REI NOSSO SENHOR, E DE SUA MULHER, MARIA DE MESQUITA ANNO DE 1595". O retábulo da capela possui edícula central com imagem de Nossa Senhora do Rosário entre colunas caneladas com capitéis de tipo compósito. O outro possui dois pares de colunas sustentando arquivoltas e um painel pintado com paisagem. Os retábulos laterais possuem dois pares de colunas torsas. Sacristia com acesso por portas rectangulares, a partir da capela-mor e da capela lateral do Calvário. Possui pavimento em soalho, paredes brancas rebocadas e tecto em masseira com 5 planos. Na parede N., arcaz.
Utilização Inicial
Religiosa: igreja paroquial
Utilização Actual
Religiosa: igreja paroquial
Propriedade
Privada: Igreja Católica
Época Construção
Séc. 14 / 16 / 17 / 18
Arquitecto / Construtor / Autor
PINTORES: Simão Antunes (1560), Manuel Arnau - atribuída as pinturas da sacristia.
Cronologia
Séc. 14 - provável construção; 1320 / 1321 - no arrolamento de D. Dinis das igrejas paroquiais taxadas, a Igreja de Mesão Frio figura como sendo taxada em 50 libras; 1560 - Simão Antunes pintou um retábulo com a "Descida da Cruz"; 1582, 17 Outubro - visitação por D. Frei Marcos da Silva, Bispo do Porto, o qual manda colocar um alpendre na porta principal da igreja; 1583, 19 Outubro - visitador Pe João de Magalhães, Abade de São João de Nespereira, recomenda novamente a construção do alpendre, que devia ficar de bom tamanho para que coubesse muita gente, o que nunca chegou a acontecer; 1585, 8 Outubro - na visitação, o bispo do Porto, D. Frei Marcos de Lisboa mandou fazer vários melhoramentos na igreja e alfaias, nomeadamente a substituição do sacrário, porque o existente estava velho, o que deveria ser feito até ao Natal; esta substituição não chegou a ser feita; 1595 - construção da Capela dos Santos Inocentes; 1658 - construção do arcosólio com arca tumular de Francisco De Sotto Maior Pinto; séc. 17 / 18 - execução dos tectos e retábulos em talha; Séc. 19 -a Confraria do Santíssimo Sacramento tinha as seguintes obrigações: 1) ter constantemente acessas 2 lâmpadas ao Santíssimo; 2) ter acesa a lâmpada do altar do Santo Cristo todas as 6as feiras; 3) rezar todas as quartas feiras uma missa no altar do Santíssimo pelas almas de todos os irmãos confrades e benfeitores vivos e defuntos, e no fim do responso pelas almas dos irmãos e confrades falecidos; 4) rezar todos os terceiros domingos do mês uma missa e no fim fazer Procissão com o Santíssimo ao redor da Igreja; 5) rezar mais cinco missas pela alma de Cecília Vaz; 1979 - construção de alpendre na fachada lateral esquerda para protecção dos túmulos, entretanto deslocados do muro do adro e do lado direito do portal principal e ali colocados.
Características Particulares
Igreja barroca conservando estruturas mais antigas do séc. 15, 16 e 17 e com frontispício já rococó, com frontão da fachada, em cornija telhada, e do portal dinamizados por molduras, elementos decorativos e concheados vários. A fachada posterior surge igualmente com empena telhada, recortada nos cunhais para assentamento dos pináculos. No exterior destacam-se os arcosólios góticos na parede lateral da capela-mor que conservam restos de frescos com pintura figurativa. Decorativamente integra-se na tipologia das igrejas com arco triunfal integralmente revestido a talha dourada, que neste caso é de diferente tipo e cor. Para além da talha do arco triunfal, paredes da capela-mor, púlpitos e retábulos e dos tectos de caixotões de talha com painéis figurando santos do hagiólogo católico (na nave) ou cenas da vida de Cristo (na capela-mor), destacam-se as capelas laterais do lado do Evangelho. Uma do séc. 16, com abóbada de berço em caixotões moldurados e outras 2, articuladas entre si e com a nave por arcada assente em robusta coluna toscana, com retábulos a unirem-se por elementos de talha e tectos de igual estrutura facetada e pintados, um deles já com pintura posterior. O retábulo da Descida da Cruz, da autoria de Simão Antunes, inspirou-se no da Capela do Santíssimo da Sé de Lamego. Segundo Vítor Serrão, as tábuas da sacristia, muito repintadas, pertenciam a um antigo retábulo maneirista desmembrado, e poderão ser atribuídas ao pintor Manuel Arnao, integrando-se na sua fase tardia.
Dados Técnicos
Sistema estrutural de paredes portantes.
Materiais
Estrutura de granito, coro-alto, tectos e pavimento em madeira, gradeamento de ferro, cobertura de telha de aba-e-canudo.
Bibliografia
FORNELOS, Álvaro Maria de, Memória historico-económica do concelho de Mesão-Frio, Coimbra, 1886, p. 51 - 52; AZEVEDO, Correia de, Património Artístico da Região Duriense, Vila do Conde, 1972, p. 15 - 16; ALMEIDA, José António Ferreira de (coord.), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1976, p. 394; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, vol. 3, Lamego, 1982; SERRÃO, Vítor, André de Padilha e a pintura quinhentista entre o Minho e a Galiza, Lisboa, 1998; DIAS, António Dias, Fastos de Mesão Frio, Porto, 1999; Foz Côa Inventário e Memóra, [coord. de SOALHEIRO, João], Porto, 2000; MONTEIRO, J. Gonçalves, Penaguião "Terra" e Gente, 1ª ed., Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião, Coimbra, 2004.
Intervenção Realizada
Fábrica da Igreja: c. 1950 - reparações gerais da igreja.
Fonte
S.I.P.A. por Ricardo Teixeira

 

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