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Convento Franciscano

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A fundação do Convento dos Franciscanos, em Mesão Frio, não tem uma data precisa. Fortunato de Almeida, o conceituado autor da “História da Igreja de Portugal”, diz que “o Mosteiro de São Francisco de Mesão Frio foi fundado em 1724, para frades”, e Frei Henrique Rema dá o ano de 1744 como data provável da sua função. É muito possível que o edifício para alojar os frades franciscanos tivesse começado a ser edificado em 1724, e que o seu acabamento se tornasse um facto apenas vinte anos depois. Entre uma e outra data aparece ao lado da igreja do Convento a Ordem Terceira de São Francisco, em cuja direcção estiveram outrora os frades. No interior dos Claustros do Convento, podem ver-se umas escadas subterrâneas que vão dar a um túnel. O povo, sempre de imaginação fértil, criou a lenda de que nesse túnel subterrâneo existe um caminho por onde os mouros atravessam o Douro em direcção ao Convento de Barrô. Actualmente, e desde 1834, é neste edifício que funcionam as várias repartições públicas do poder judicial, administrativo e autárquico da vila de Mesão Frio.

Arquitectura religiosa, maneirista, rococó e neoclássica. Convento franciscano maneirista, com igreja de planta longitudinal, de nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, com edifício conventual desenvolvido à direita, com um claustro quadrangular, e sacristia adossada à fachada lateral esquerda da igreja e Casa do Despacho rococó, neste mesmo lado. Fachadas com cunhais apilastrados, percorridas por embasamento e rematadas por friso e cornija. Na principal, igreja terminada em empena e rasgada por portal de verga recta entre pilastras, encimada por nicho de frontão triangular, ladeado por duas janelas de frontão curvo e peitoril sobre mísula, formando três eixos; convento de dois pisos separados por friso, rasgados por janelas de peitoril e caixilharia de guilhotina e janelas de sacada; e Casa do Despacho de dois pisos e três panos, de vãos em arco abatido e brasão da Ordem. Fachada lateral e posterior do convento de 3 pisos com janelas de guilhotina. Interior da igreja com tectos de madeira, nave com coro-alto, púlpitos, duas capelas confrontantes e dois retábulos laterais de feitura novecentista e retábulo-mor neoclássico. Claustro com arcada de arcos plenos sobre pilares no 1º piso e colunata toscana assente em muro ritmado por plintos no 2º.
Descrição
Planta irregular composta por: 1) igreja central, de planta longitudinal de nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, com sacristia adossada à fachada lateral esquerda e torre sineira quadrada meia adossada à fachada posterior; 2) convento disposto a O., com claustro quadrangular central, e fachadas posteriores formando U; 3) e antiga casa do Despacho, rectangular, adossada à fachada lateral E. da igreja integrando pátio quadrado. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, sacristia e zonas do claustro, de três na casa do Despacho e de quatro no convento e torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com pilastras toscanas nos cunhais, as da igreja encimadas por pináculos piramidais, e as do convento em aparelho almofadado, percorridas por embasamento de granito, que nas fachadas laterais do convento e torre sineira é bastante alto em cantaria almofada, e rematadas por friso, ritmado por argolas de ferro, e cornija. IGREJA: Fachada principal virada a N., sensivelmente avançada em relação ao conjunto conventual, terminada em empena, de friso e cornija telhada, com cruz na empena.

 

Portal de verga recta entre pilastras toscanas, assentes em bases altas, suportando friso e frontão triangular de volutas interrompido por elemento fitomórfico; tímpano em cantaria esculpida com ornatos vegetalistas e cartela central com cruz e sudário; no eixo do portal, dispõe-se, interligado a este por avental sobreposto de vieira, nicho contendo uma Pietá, com abóbada em concha, entre pilastras e aletas volutadas, que suportam friso e frontão triangular, moldurado, rematado por pequenos elementos e pináculos. Ladeia o nicho, dois janelões, gradeados, com peitoril avançado assente em duas mísulas e encimadas por frontão curvo. Fachada lateral esquerda da nave rasgada por três janelas de capialço. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com janelas e vãos encimados por sanefas de talha branca, beje e dourada. Nave com coro-alto de madeira, assente em pilastras toscanas, com balaustrada também de madeira, acedido pelo lado da Epístola, com cadeiral disposto em U, de espaldar alto seccionado por pilastras coroadas por pináculos, tendo ao centro maquineta com imagem e, no lado do Evangelho, órgão positivo de armário. No sub-coro, corre a toda a largura guarda-vento de madeira envidraçado, tendo, ladeando o portal, duas pias de água-benta rectangulares gomeadas com espaldar recortado e, no lado do Evangelho baptistério, com vão de arco pleno de chave ressalvada, sobre pilastras, e interior percorrido por silhar de azulejos modernos azuis e brancos; pia baptismal circular e na parede painel representando o Baptismo de Cristo. Nave rasgada por três janelas de capialço de cada lado, as da Epístola cegas. No lado do Evangelho, porta de verga recta acede a capela lateral, com silhar de azulejos azuis e brancos, figurando cenas da Paixão de Cristo, e retábulo em talha beje e dourada, de planta recta e um eixo circunscrito por pilastras e colunas coríntias, contendo, no nicho central, Cristo na cruz; Remate em frontão semicircular, interrompido na parte inferior; pavimento de lajes integrando lápide sepulcral de D. Lourenço Correia de Sá, bispo do Porto, e cobertura em falsa abóbada de berço com trabalhos de estuque. Fronteira à capela, idêntico vão liga ao convento. Sensivelmente a meio da nave dispõem-se dois púlpitos confrontantes, de base pétrea quadrangular sobre mísula volutada, guarda de madeira pintada de branco, azul e beje, com elementos fitomórficos e, na face frontal, o emblema da Ordem em cartela ( no lado do Evangelho ) ou Agnus Dei ( no da Epístola ); têm acesso por escada rasgada no interior da caixa murária e por portas de verga recta. Seguem-se-lhes, duas capelas laterais também confrontantes, em vão de arco pleno entalhado e pintado com elementos fitomórficos, com retábulos de talha policroma, de planta recta e um eixo, ambos dedicados à Virgem - Nossa Senhora da Conceição ( Evangelho ) e Nossa Senhora do Rosário de Fátima ( Epístola ). Arco triunfal pleno sobre pilastras toscanas, com teia, e encimado por sanefa. Ladeia-o retábulos colaterais, postos de ângulo, de planta recta e um eixo, dedicados a São José ( Evangelho ) e Santo António ( Epístola ). Capela-mor com silhar de azulejos modernos, de padrão azul e branco, rasgada lateralmente por janelas e com mísulas contendo imaginária. Sobre supedâneo, retábulo-mor de talha branca e dourada, de planta recta e três eixos divididos por colunas coríntias com o terço inferior do fuste liso e decorado com festões relevados, assentes sobre plinto alto. Tribuna central de volta perfeita, com o fundo e cobertura pintados de azul, contendo trono de cinco degraus; lateralmente, duas mísulas. Remate em tabela flanqueada por pilastras e remate em cornija volutada, surgindo, sobre os eixos laterais urnas. Na base destes, duas portas de acesso à tribuna a ladear altar em forma de urna, sobre o qual assenta sacrário de talha dourada. Pavimento em lajes de granito e cobertura da nave e capela-mor em falsa abóbada de berço, de madeira, pintada de azul, sobre cornija pétrea, tendo nesta última emblema da Ordem pintado. Sacristia ampla, com arcaz de madeira encimado por peanha com Cristo na cruz; numa das paredes laterais tem armário embutido em vão de verga recta, decorada por pomba do Espírito Santo, e ângulos recortados; frontalmente, lavabo de espaldar rectangular ornado por duas flores-de-liz e grande vieira; tecto em madeira. CONVENTO: Fachada principal de dois pisos separados por friso, tendo no 1º, no topo esquerdo, portal de arco pleno sobre pilastras, seis janelas molduradas com caixilharia de guilhotina, uma delas desalinhada, e um outro portal, de verga recta e bandeira superior; o 2º piso tem fenestração regular, com três módulos de dupla janela de sacada única, dispostos nos topos e centro da fachada, intercalados por duas janelas iguais às do piso inferior. Fachada O. bastante comprida, de dois / três pisos consoante o pendor do terreno, separados por friso, sendo o 1º na zona do embasamento rasgado por porta de verga recta entre duas janelas; os pisos superiores têm janelas de guilhotina, tendo algumas do 1º gradeamento em papo de rola e, sobre a porta, uma janela de sacada à face, e as do 2º piso com peitoril avançado sobre mísulas; no topo N. abre-se nicho de vão em empena, moldurado, encimado por cornija e tendo avental inferior, albergando imagem de Nossa Senhora....? Esta fachada possui ainda, descentrado, corpo rectangular avançado, todo em cantaria e escalonado nas faces laterais. As restantes fachadas do convento têm alambor, com aparelho almofadado ou em "mixtum vittatum" nas faces internas do U, e as janelas, do mesmo tipo, apresentam ritmos variados, sendo algumas maiores que outras, e por vezes interligam-se à cornija do remate. INTERIOR: dependências percorridas por silhar de azulejos modernos, de padrão azul e branco, tendo, normalmente, pavimento de jajes graníticas no 1º e em cerâmica no 2º, e tectos de madeira. Claustro de dois pisos, com arcada composta de sete arcos plenos sobre pilares quadrangulares no 1º e colunata toscana assente em muro ritmado por plintos no 2º. Quadra ajardinada com canteiros de buxo e fonte central de tanque quadrilobado. A ligação entre os pisos faz-se por duas escadarias de cantaria. Destaque para uma das portas de ligação à igreja, de verga recortada superior e lateralmente, onde forma brincos compridos, ladeada por pequeno nicho de arco pleno com porta esculpida com um gomil. Antiga CASA DO DESPACHO: Fachada principal de dois pisos separados por friso e pilastras demarcando três panos. No central, rasgam-se duas portas enquadradas por janelas baixas, todas com moldura de granito em verga de arco abatido e janelas com gradeamento de ferro pintado de verde; no 2º piso sobrepõem-se-lhes quatro janelas de peitoril e caixilharia de guilhotina, pintada de branco. No pano direito, o do pátio, rasga-se porta de verga abatida, com portão de ferro pintado de verde, ornamentado com enrolamentos e remates em flor. O registo superior é dominado pela pedra de armas da Ordem Terceira envolvida por exuberante composição de folhagens, com acantos, volutas e auriculares, enquadrada por moldura de lanços arqueados, tendo na base enrolamentos de volutas e remate pontiagudo, formando falso frontão que interrompe a linha do telhado.
Acessos
Avenida Conselheiro Alpoim. WGS84: 41º09'31.10''N., 7º53'29.91''O.
Grau
2
Enquadramento
Urbano, adossado. Ergue-se no lado S. da avenida, adaptada ao desnível do terrreno, abrindo-se a fachada principal para o passeio público. A E. adossa-se casa de habitação com a mesma cércea e tendo quintal, a fachada lateral O. e parte da posterior dão para caminho público e a restante para quintal sobrelevado e vedado. Precede o portal axial da igreja e o do edifício conventual escada comum de três degraus.
Descrição Complementar
IGREJA: A capela lateral tem, do lado da Epístola, porta, de verga recta que liga a corredor desenvolvido ao longo da fachada E. da nave, onde se dispõem duas delas, uma delas figurando Cristo na Cruz e a Virgem aos pés, uma cadeira de espaldar, um armário embutido na parede e um lavabo, de espaldar decorado, encimado por cornija e com duas bacias circulares interligadas. Retábulos laterais são semelhantes, de planta recta e um só eixo circunscrito por colunas de fuste liso e capitéis coríntios, composto pot nicho com a imagem do orago e duas mísulas comportando imaginária. Remate em friso e cornija, formando um arco a acompanha o vão do nicho central; superiormente, tabela com aletas volutadas e remate em frontão interrompido em volutas. Retábulos colaterais são igualmente semelhantes, com planta recta e um eixo circunscrito por pilastras coríntias, formado por nicho com a imagem do orago. Remate em friso, cornija e tabela curva pintada a representar, no Evangelho, "Fuga para o Egipto", encimada por frontão semicircular. Todos os retábulos possuem altares em forma de urna, com cartela central envolta por decoração fitomórfica. CASA DO DESPACHO: Átrio de pavimento lajeado e entrada coberta por telhado de uma água. Na sua fachada lateral, rasgam-se duas portas de verga abatida de acesso ao 1º e ao 2º piso, sendo este feito por escadas de dois lanços opostos com guarda e corrimão em ferro pintado de verde. Porta do 2º piso ladeada de janela quadrada protegida por grade ornamentada com enrolamentos. INTERIOR: 1º piso de pavimento em marmorite, paredes amarelas encrespadas e balcão da agência bancária disposto longitudinalmente. No ângulo E., desenvolve-se escada de lanços opostos, de acesso à cave usada como casa das máquinas, depósito e caixa forte. No 2º piso localizam-se as WCs e escritórios, com divisórias de madeira, apresentando os vãos das janelas da fachada principal conversadeiras em pedra.
Utilização Inicial
Religiosa: Convento da Ordem Terceira de São Francisco
Utilização Actual
Religiosa: Igreja / Politica e administrativa: Câmara Municipal de Mesão Frio / Registo Predial / Turismo (edifício conventual) / Financeira: Banco (antiga Casa do Despacho)
Propriedade
Privada: Misericórdia / Pública: Municipal
Época Construção
Séc.17 / 18 / 19 / 20
Cronologia
1600 - existência já nesta data de livro de eleições da Ordem Terceira de São Francisco em Mesão Frio, registado no livro de Inventário de 1917 da Santa Casa da Misericórdia local; 1737 - data normalmente apontada para a provável fundação da Irmandade em Mesão Frio, por Cipriano Ribeiro, e para a reedificação da Igreja de Nossa Senhora da Piedade e convento anexo; Cipriano Ribeiro instituiu ainda três missas diárias com $150 rs cada; 1744 - data do primitivo estatuto da Irmandade; 1780 - a Irmandade cedeu os baixos da Casa do Despacho para aula de gramática, de ler e escrever, regida pelos frades; 1790 - Convento transformado em Seminário Apostólico dos frades franciscanos do Varatojo; 1804 - data de um sino com imagem de São Francisco; 1809, 11 Maio - destruição da Igreja Paroquial de Santa Cristina, construída no Lug. do Outeiro, pelas tropas do general Loison, aquando da 2ª invasão francesa, ordenada por Napoleão Bonaparte e comandada por Soult; 1826 - data do sino com imagem relevada de Santa Cristina, actualmente na Igreja conventual; 1809 / 1834, entre - os ofícios litúrgicos da Paroquial de Santa Cristina eram realizados na capela do antigo Solar da Picota, na R. da Picota; 1834 - extinção das ordens religiosas; o convento tinha então 19 religiosos sob a direcção de Frei Miguel da Soledade: 10 sacerdotes, 3 coristas e 6 irmãos leigos; o convento foi avaliado em 21.000$000 e c. 3.200$000 rs; 28 Maio - após a saída dos frades franciscanos do Varatojo, os paroquianos de Santa Cristina, apossaram-se da Igreja de Nossa Senhora da Piedade, e convertem-na na sua matriz, que passou a designar-se de Igreja de Santa Cristina; séc. 19 - o convento foi requisitado pela Câmara Municipal para nos altos estabelecer a Misericórdia e o hospital e nos baixos estabelecer quartéis militares, à custa da Câmara; 1840, 31 Agosto - Câmara solicita o edifício para casa da Câmara e a cerca para cemitério; 1842, 21 Abril - cedência do edifício à Câmara e mandou-se vender a cerca; 1800, meados - Maria Pita, depois de ter enviuvado, tornou-se dona de uma hospedaria designada "Casa da Pinta" instalada na antiga Casa do Despacho; Maria Pita era também hospitaleira da Misericórdia; 1861 - construção de um fontanário na frontaria do edifício conventual; 1871, 22 Agosto - votação em Assembleia Geral da Ordem Terceira de São Francisco dos estatutos da Ordem; 1872, 23 Abril - aprovação dos estatutos pelo Governador Civil de Vila Real, António Tibúrcio Pinto Carneiro; o original, de 1872, consta de um livro no Arquivo da Misericórdia que tem na entrecapa duas folhas coladas, a primeira contendo uma petição do Ministro e Definidores da Ordem ao Núncio Apostólico para que fosse elevada para 320 rs o preço das missas, dada a dificuldade na obtenção de sacerdotes para rezarem pelo preço de 240 rs as missas a que a Irmandade era obrigada; o número de missas de legados era 701; a segunda folha serviu para remeter a petição ao prelado da Diocese; 1874, 29 Setembro - já havia sido atendida pela Nunciatura Apostólica idêntica pretenção, no sentido de ser afixado o preço nos 240 rs para poderem ser satisfeitas 2128 missas que se encontravam em atraso; 1881 - impressão dos estatutos na Tipografia do "10 de Março", na R. D. Fernando, no Porto; reparos no edifício conventual; 1893, 5 Maio - diferido o pedido relativo ao aumento do preço das missas; 1915, 2 Setembro - a Ordem Terceira submete à Misericórdia uma proposta de incorporação, que a Ordem devia à Misericórdia avultadas quantias de dinheiro; 1916, 8 Janeiro - alvará assinado pelo Governador Civil de Vila Real, Dr. Nuno Simões, incorporando a Ordem Terceira de São Francisco na Irmandade da Misericórdia de Mesão Frio; para esta passou também os paramentos, quadros e alfaias descriminados no Inventário da Ordem de 1912, bem como algum mobiliário; a Misericórdia alugou a antiga Casa do Despacho ao Banco Totta & Açores, depois de ali também ter funcionado o Salão Paroquial; 1935 - o fontanário do frontispício foi transferido para o topo N. da Av. Conselheiro Alpoim; 1978, 27 Novembro - inauguração da agência do Banco T&A na antiga Casa do Despacho; 1992, 21 Novembro a 1993, 10 Janeiro - seis cadeiras de couro com o brasão da Ordem figuraram na exposição realizada no Arquivo Distrital de Vila Real intitulada "Identidade Cultural Transmontana - Os Franciscanos";
Características Particulares
Juntamente com o Convento de São Francisco de Vinhais, constituiu um dos dois conventos da Ordem dos Frades Menores que no distrito foram Seminários Apostólicos. A construção seiscentista foi reformada no séc. 18 e 19. A fachada da igreja, de três eixos, parece ter recebido alguns elementos decorativos durante o séc. 18 no eixo central, com colocação do frontal de volutas, de tímpano ornamentado a baixos relevos, e do avental do nicho, bem como acréscimos laterais e superiormente; no nicho conserva imagem do verdadeiro orago do convento: Nossa Senhora da Piedade. Os cunhais são dinamizados pela sobreposição de cornijas e frisos como é costume no distrito. No interior conserva cadeiral neoclássico e órgão de armário no coro-alto, o qual assente sobre pilastras e cornija de cantaria. Possui dois púlpitos laterais confrontantes, com acesso por vão desenvolvido no interior da caixa murária. Capelas funerária lateral mantém o túmulo do seu fundador, ostentando painéis de azulejo, de difícil leitura, pois alguns azulejos estão colocados aleatoriamente. Retábulos laterais e colaterais de feitura novecentista, mas recuperando uma linguagem maneirista e neoclássica. No retábulo-mor, uma estrutura de grandes dimensões, não se integra a imagem do actual orago, relegada para uma mísula na parede lateral, mas a correspondente à invocação do antigo convento, Nossa Senhora da Piedade. Edifício conventual de planta invulgar, devido à fachada posterior ser em U, com as fachadas laterais e posterior a formar alambor, possivelmente para vencer o desnível do terreno. Caracteriza-se pela sobriedade e singeleza das linhas, com embasamento e cunhais apilastrados em cantaria almofadada, e fenestração sensivelmente regular com janelas de guilhotina, as do último piso com peitoril avançado sobre mísulas. A fachada principal é renriquecida pela alternância deste tipo de janelas com janelas de sacada, colocadas duas a duas. Fonte do claustro central barroca, de coluna galbada, uma taça com quatro carrancas e tanque quadrilobado. A Casa do Despacho é de construção posterior, possuindo fachada com vãos numa simetria e simplicidade, em arco abatido, que pronuncia a linguagem neoclássica, e tendo no pano lateral de acesso ao pátio, brasão da Ordem decorado enquadrado por aletas formado falso frontão que se eleva acima do nível dos telhados.
Dados Técnicos
Paredes autoportantes.
Materiais
Estrutura de cantaria granítica e rebocada de branco; molduras dos vãos, pilastras, base dos púlpitos, pia baptismal e pias de água-benta, escadas e outros elementos em granito; guarda vento em madeira envidraçada; retábulos, sanefas e guarda dos púlpitos em talha policroma; silhares de azulejos; portas, caixilharia das janelas, coro-alto e outros elementos em madeira; pavimento em lajeado de granito, cerâmico, de madeira e marmorite; cobertura interior em madeira; trabalhos de estuque; gradeamentos em ferro; cobertura exterior de telha.
Bibliografia
LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. 5, Lisboa, 1875; FORNELOS, Álvaro Maria de, Memória Histórico-Económica do Concelho de Mesão Frio, Coimbra, 1886; AZEVEDO, Correia de, Património Artístico da Região Duriense, Vila do Conde, 1972; REMA, Henrique, A Ordem Franciscana em Trás-os-Montes, in Estudos Transmontanos e Durienses, vol. 7, Vila Real, 1985, p. 299 - 331; DIAS, António Gonçalves, Monografia simplificada da Misericórdia de Mesão Frio e apostilada no final com pedaços de História deste concelho, Mesão Frio, 1993; idem, Fastos de Mesão Frio, Porto, 1999;
Intervenção Realizada
Banco Totta & Açores: séc. 20, anos 70 - remodelação e adaptação dos interiores da Casa do Despacho.
Observações
Existe a lenda da existência de um túnel que ligava o Convento da Ordem Terceira de São Francisco, na margem direita do Douro, ao Convento de Barrô, actualmente um casarão arruínado, na margem esquerda do mesmo, por onde os frades iam ter com as freiras. Aquando da extinção do convento, em 1834, a sua biblioteca possuía um bom espólio literário, com mapas da Europa, de França e outros países, 290 volumes de diferentes Bíblias, 452 volumes de teologia em muitas línguas, 234 volumes de Sarmonários, 185 livros de Direito, 266 de História e literatura, 251 de Moral, etc, etc.
Fonte
S.I.P.A. por Ricardo Teixeira

 

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