Seja como ritual religioso, por apego às tradições, pura diversão pagã ou interesse antropológico, as festas e romarias são um dos mais importantes momentos de uma colectividade. Tradicionalmente, nestas datas, as povoações engalanam-se e as famílias reúnem-se. É também esse o momento para conhecer o que de melhor as gentes têm para dar, quem são, como vivem e o que produzem. Destacamos  a Feira de Santo André que tem vindo a marcar significativamente a oferta nacional para esta época festiva.  A Feira de Santo André tem origem, muito provável, anterior à ocupação visigótica.

Este antigo concelho-burgo era povoado por negociantes e artistas que viviam quase exclusivamente do comércio. Nos princípios da formação do reino, as tradições e costumes herdados dos godos e serracenos, originaram a mistura de feiras e romarias pagãs, tornando-se numa das mais antigas manifestações populares do período medieval.  Neste período existia a “paz da feira”, uma paz especial que proibia toda a disputa ou vingança com penas severas para os transgressores. As cartas que outorgavam as Feiras Francas constituíam a autorização régia destas reuniões mercantis, e demonstravam a preocupação em salvaguardar os interesses comerciais das localidades circunvizinhas. Os próprios feirantes dispunham de privilégios durante o período de duração da feira que os libertava de certas responsabilidades com o rei.

A feira anual de Santo André, de 30 de Novembro a 8 de Dezembro, misto de festa, feira e romaria, onde é possível captar tipos humanos inesquecíveis e gestos ancestrais na arte de negociar. Quanto à gastronomia, é posta à prova, e o prato típico é a marrã assada, mas o cabrito faz-lhe concorrência nas preferências. Não faltam as tripas, os enchidos, broa caseira, papas de farinha de milho, doce de Donsumil e as falachas. Também há mercado, todas as Sextas-Feiras que se realiza no coração da vila.

feiras e romarias